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Segunda-feira, 14 de Maio de 2007

...Continuação 
 
HORMONAS REGULADORAS DA LIBERTAÇÃO DE HORMONAS HIPOFISÁRIAS
 
Hormonas estimulantes:
 
·      Tiroliberina_ (TRH);
·      Corticoliberina_ (CRH);
·      Gonodoliberina_ (GnRH);
·      Prolactoliberina_ (PRH);
·      Somatosliberina_ (SRH ou GHRH);
·      Melanoliberina_ (MRH).
 
Tiroliberina- é a hormona hipotalâmica responsável pela libertação da tirotropina hipofisária que estimula a produção de hormonas troideias pela glândula tiróide.
Corticoliberina- induz a libertação da hormona hipofisária, adeno-corticotropina que estimula o córtex supra-renal. A hormona adeno-corticotropina controla a segregação de hormonas esteroides pelas mesmas.
Gonodoliberina- é uma hormona hipotalâmica a que cabe como principal função induzir a produção e a libertação das hormonas hipofisárias de estimulação folicular (FSH) e a luteinizante (LH). Estas duas hormonas colaboram no controlo dos órgãos sexuais.
Prolactoliberina- é uma hormona hipotalâmica que estimula a produção de prolactina. Esta hormona prepara os seios para a produção de leite durante a gravidez e o aleitamento.
Somatosliberina- é uma hormona que provoca a libertação do crescimento (somatotrofina). A hormona do crescimento permite o crescimento geral do corpo, mantendo o volume dos músculos.
Melanoliberina- admite-se a existência de uma hormona hipotalâmica, melanoliberina capaz de induzir a libertação de melanotropina pela hipófise. A hormona estimuladora dos melanócitos (HEM) promove a produção de melanina (pigmento da pele).
 
Hormonas inibidoras:
 
·      Prolactostatina_ (PIH);
·      Somatostatina_ (SRIH ou GHRIH);
·      Melanostatina_ (MIH).
 
Prolactostatina- tem como função inibir a secreção de prolactina.
Somatostatina- pensa-se que a secreção da hormona estimuladora dos melanócitos (melanotropina) é inibida pela hormona hipotalâmica melanostatina.
 
 
MECANISMOS DE FEEDBACK 
      Há mecanismos de feedback entre uma glândula destinatária, o hipotálamo e a hipófise com a finalidade de assegurar o controlo da produção hormonal.
      Existem hormonas como o caso de tireoliberina, adrenocorticotrópica e as duas gonodoliberinas, que controlam as funções da tiróide, córtex supra-renal, ovários e testículos e, as hormonas dos órgãos alvo exercem controle em feedback sobre a secreção dessas hormonas hipofisárias. Sugeriu-se que a ausência de feedback para as hormonas dos órgãos alvo poderia explicar o duplo sistema (um estimulador e outro inibidor) da regulação hipotalâmica de prolactina, da secreção da hormona de crescimento, da secreção da hormona estimulante do melanócito.
      Como exemplo, do mecanismo de feedback, temos a regulação da segregação da hormona tiróide que funciona do seguinte modo:
 
1. A tiroliberina estimula a glândula pituitária a libertar a hormona estimuladora da tiróide , a qual vai estimular a glândula tiróide.
2. Se o nível da hormona tiroideia subir muito, os mecanismos de feedback estimulam o hipotálamo a reduzir a produção da tiroliberina. A segregação da hormona estimuladora da tiróide e da hormona tiroideia desce, o que trás o nível hormonal de volta à normalidade.
3. Se os níveis de hormona tiroideia diminuírem, o feedback diminui e o hipotálamo aumenta a produção da tiroliberina. Este factor estimula a produção da hormona estimuladora da tiróide e da hormona tiroideia, cuja produção regressa ao normal. 
 
O HIPOTÁLAMO NA SEXUALIDADE 
      O hipotálamo, localizado no cérebro directamente acima da hipófise, é conhecido por exercer controle sobre a mesma por meio de conexões neurais e substâncias semelhantes a hormónios chamados factores desencadeadores (ou de liberação), o meio pelo qual o sistema nervoso controla o comportamento sexual via sistema endócrino. O comportamento sexual é influenciado pelo hipotálamo. Ele estimula a glândula pituitária para que esta liberte os hormónios sexuais. Quando o nível destes hormónios cai, cai também o desejo sexual. O hipotálamo secreta o factor de liberação apropriado no sangue, que alcança a pituitária e a estimula a secretar o hormónios gonadotrófico. Na mulher a glândula alvo do hormónio gonadotrófico é o ovário. O ovário tem duas funções, sendo a primeira de produzir óvulos e a outra de secretar hormónios (estrógeno e progesterona). Os hormónios ovarianos fazem loops de retroalimentação para a hipófise e desenvolvem características sexuais que distinguem homens e mulheres. No homem, a glândula alvo do hormónio gonadotrófico é o testículo. Tal como o ovário, o testículo tem um papel duplo: produção de esperma e de hormónio. Andrógenos (testosterona) são os hormónios liberados pelos testículos hormonas pituitárias estimulam a produção de hormónios testiculares que, por sua vez, regulam a produção de hormónio pituitário por feedback.
 
 
Controle hormonal da maturação sexual
 
Papel do hipotálamo e da hipófise anterior na puberdade 
      As gônadas e as estruturas sexuais acessórias crescem lentamente, não produzem gâmetas e secretam muito pouco hormónio esteróide durante os dez a doze anos entre a infância e o inicio da maturação sexual, ou puberdade. O primeiro evento detectável da puberdade é o aumento da secreção das gonadotropinas hormónio luteinizante (LH) e hormónio folículo-estimulante (FSH) pela hipófise anterior. Esses hormónios foram designados pelos seus efeitos nas mulheres, mas também estão envolvidos no controle da reprodução nos homens.
      A secreção dos hormónios da hipófise anterior é regulada pela secreção, pelo hipotálamo, de hormónios liberadores e hormónios inibidores da liberação. As secreções de LH e FSH são consideradas como sendo controladas por um só hormónio liberador de gonadotropinas (GnRH). O efeito da gonadotropina é o de estimular o crescimento das gônodas até ao seu tamanho adulto, estimular a gametogênese e desencadear a secreção dos esteróides sexuais. A secreção dos esteróides gonádicos desencadeia alterações específicas de cada sexo no crescimento corporal e no desenvolvimento das características sexuais secundárias, as características corporais específicas que se desenvolvem após a puberdade. Nas mulheres, a liberação de gonadotropinas ocorre numa base cíclica, impulsionando o ciclo reprodutivo feminino ou ciclo menstrual. Nos homens, a liberação média é relativamente constante por períodos de até alguns dias, mas há alguns pulsos de liberação de gonadotropinas durante cada dia.
 
 
INFLUÊNCIA DO HIPOTÁLAMO SOBRE O SISTEMA IMUNITÁRIO 
      As vias existentes entre a glândula renal e o hipotálamo afectam as reacções imunológicas, seja por reacções fisiológicas seja por estímulos celulares, através de receptores específicos, o que faz com que o aumento a concentração de hormonas libertadas pela supra renal (adrenalina e norodrenalina) em graus elevados iniba as respostas de anticorpos.
       Após experiências realizadas com ratos em que o hipotálamo dorsal tinha sido destruído, constatou-se que houve uma supressão da resposta dos anticorpos, concluiu-se, então, que o hipotálamo seria uma espécie de base de integração entre o Sistema Nervoso e o sistema imunológico na resposta às emoções.
      Algumas emoções podem levar a uma perda da homeostase, o que leva a que o Sistema imunitário fique mais anémico, o que implica uma maior predisposição a outras doenças.
      Todas estas hipóteses levaram Cannon a determinar que o hipotálamo interfere na regulação do comportamento emocional.
 
 
INFLUÊNCIA DO HIPOTÁLAMO SOBRE O SISTEMA ENDÓCRINO
      O controlo do sistema endócrino por parte do hipotálamo pode ser feito directa ou indirectamente:
 
DIRECTAMENTE:
    Através da secreção de produtos neuroendócrinos para dentro da circulação geral a partir da porção posterior da glândula da hipófise.
 
INDIRECTAMENTE:
    Através da secreção das hormonas reguladoras (hormonas de libertação ou de inibição), dentro do plexo portal local, que drena para dentro dos vasos sanguíneos da hipófise anterior.
    A neurossecreção convertem as informações eléctricas em informações hormonais, sendo que estes neurónios só libertam as hormonas quando são estimulados.
 
 
REGULAÇÃO HIPÓFISE-HIPOTÁLAMO 
O hipotálamo e a hipófise estão em contacto directo com o cérebro através dos nervos e dos vasos sanguíneos, estabelecendo uma estreita ligação.
         Apenas na década de 40 se descobriu que o hipotálamo era o responsável pela síntese e segregação de hormonas que controlam a secreção das hormonas da adeno-hipófise, em que estas vão activar a secreção de outras seis hormonas (tirotropina, adenocorticotropina, prolactina, somatotrofina, hormona luteinizante, hormona estimuladora dos folículos)através da região anterior da hipófise.
      Na região posterior da hipófise encontram-se conjuntos de terminações nervosas com início no hipotálamo, segregando mais três hormonas adicionais (melantropina, hormona anti-diurética e ocitocina), hormonas estão que são transportadas para a adeno-hipófise.
         A hipófise liga-se ao hipotálamo por uma haste em que, adjacente a esta, se originam os vasos portais, mais propriamente nos capilares de eminência média do hipotálamo.
         As células neurossecretoras especializadas em várias partes do hipotálamo sintetizam hormonas hipotalámicas, as suas terminações nervosas tem término também nos capilares de eminência média, sendo as hormonas aí libertadas absorvidas por esses capilares e transportadas para a hipófise anterior onde estimulam ou inibem a libertação das hormonas dessa glândula. Os corpos celulares dos neurónios que segregam ou inibem estas hormonas estão principalmente localizados nos núcleos basais mediais do hipotálamo, especificamente na zona periventricular, no núcleo arqueado e em parte, no núcleo ventromedial.
 
 
REGULAÇÃO HIPOTALÂMICA 
      Hipotálamo é a parte do diencéfalo relacionada ao controlo de funções viscerais, endócrinas e autónomas, e com o comportamento afectivo.
       Através de evidências clinicas e experimentais, demonstrou-se que o Hipotálamo se relaciona com todas as funções e actividades viscerais.
      O Hipotálamo é o principal centro subcortical de regulação de actividade simpática e parassimpática, exerce actividade sobre a regulação do sono, do metabolismo de açúcares e gorduras, regula a temperatura corporal e o balanço hídrico. Alem disto, funções complexas como as emoções e reacções afectivas estão sob controlo do Hipotálamo e suas conexões com o sistema límbico. Estes controles são contínuos durante toda a vida do indivíduo e fundamentais para a sobrevivência.
      Cada resposta hipotalâmica é gerada a partir de um estímulo específico, desencadeando o padrão “estímulo-integração-resposta” que caracteriza a função hipotalâmica.
 
Controle simpático/parassimpático:                                         
      As regiões anteriores e medial do hipotalamo regulam a função parassimpática. O estímulo destas áreas hipotalâmicas determinam o aumento das respostas vagais e sacrais, vasodilatação periférica, aumento do tónus e da motilidade vesical e do tracto digestivo.
       As regiões laterais e posteriores do hipotálamo regulam a função simpática. Quando estas áreas do hipotálamo são estimuladas, observam-se as respostas de combate ou fuga típicas da reacção simpática: piloerecção, taquicardia, vasoconstricção, sudorese, dilatação pupilar, aumento da pressão sanguínea e da frequência respiratória, e inibição dos movimentos peristálticos viscerais.
 
 
Regulação dos mecanismos da emoção:
      O hipotálamo esta envolvido na expressão da raiva, temor, aversão, comportamento sexual e prazer. Os padrões da expressão e do comportamento estão sujeitos a influências do sistema límbico, e em parte, a alterações da função do sistema visceral.
     Especificamente, as partes laterais do hipotálamo, parecem envolvidas com o prazer e a raiva, enquanto a porção mediana parece mais ligada à aversão, ao desprazer e à tendência ao riso (gargalhada) incontrolável.
 
Regulação do mecanismo do sono-vigília: 
      Não se conhece o mecanismo que o hipotálamo possui para regular o mecanismo do sono-vigília, no entanto, supõe-se que actua através do sistema reticular talâmico (parece que os mecanismos do sono estariam a nível do hipotálamo anterior, mas os mecanismos de vigília estariam a nível do hipotálamo posterior).
     Pensa-se que o sistema reticular activador é responsável pela excitação e manutenção do estado de vigília. Os estímulos visuais e acústicos e a actividade mental podem estimular o sistema reticular de modo a manter o alerta e a atenção. Estímulos como a campainha de um despertador, luzes fortes e súbitas podem despertar a consciência. Pelo contrário, a supressão de estímulos visuais ou auditivos pode levar ao adormecimento ou ao sono.
      Apesar de não existir um centro de vigília hipotalamico próprio, podem ocorrer lesões a nível do hipotálamo posterior que danificam as projecções aferentes do SRA (substância reticular activadora), levando ao coma.
 
Regulação cardiovascular: 
      Em geral, a estimulação do hipotálamo posterior ou lateral aumenta a pressão arterial e a frequência cardíaca, enquanto que a estimulação da área pré-óptica produz efeitos opostos, como diminuição da frequência cardíaca e da pressão arterial. Esses efeitos são mediados, na maior parte, pelos centros de controlo cardiovascular nas regiões reticulares da ponte e do bolbo.
      O controlo autónomo do ritmo cardíaco e do fluxo sanguíneo está constantemente em acção, regulando minuto a minuto as variações na pressão sanguínea. Na artéria aorta e nas artérias carótidas, que se dirigem para o cérebro, encontram-se uma série de receptores de tensão conhecidos como barorreceptores. Estes receptores enviam mensagem para o centro autónomo na base do cérebro, informando há cerca do grau de tensão das artérias. Quando a tensão não é muito elevada a pressão sanguínea é baixa. Assim, a base do cérebro envia uma mensagem para aumentar o ritmo cardíaco e restringir o fluxo de sangue para os órgãos viscerais até que se restabeleça a pressão sanguínea normal. Por exemplo, o problema imediato que se levanta perante uma hemorragia é uma rápida queda de pressão sanguínea. Devido a uma estimulação reflexa simpática ocasionada pelos barorreceptores, o paciente sente-se frio e torna-se extremamente pálido. Flui muito pouco sangue para a pele e, proporcionalmente, torna-se disponível uma maior quantidade de sangue para os órgãos vitais, como o coração e o cérebro.
      Quando a pressão sanguínea é alta, há maior pressão nas artérias, e os barorreceptores estimulam, reflexivamente, o nervo vago para que diminua o ritmo cardíaco, enquanto que a estimulação simpática dilata algumas veias e diminui a resistência à passagem de sangue.
      Embora não tenham sido identificados centros anatomicamente distintos, as áreas posterolateral e dorsomedial do hipotálamo funcionam como região activadora simpática, enquanto uma área anterior funciona como região activadora parassimpatica.
       Há muitas funções viscerais que estão sob o controlo do sistema autónomo. Estas funções são estimuladas pelos nervos parassimpaticos, mas inibidas pelos nervos simpáticos, por exemplo, a secreção de bílis para a vesícula biliar, o fluxo urinário e o vazar da bexiga. A estimulação simpática tem também efeitos metabólicos que tendem a aumentar a quantidade de combustível disponível para obter energia. O fígado liberta a glucose armazenada para a circulação sanguínea, as gorduras armazenadas libertam ácidos gordos e os músculos esqueléticos metabolizam o seu próprio combustível, nomeadamente a partir de reservas de glicogénio. Finalmente, os nervos autónomos são os mediadores das respostas sexuais, quer masculinos, quer femininos. Por exemplo, a erecção é uma resposta parassimpatica e a ejaculação é uma resposta simpática.
 
 
Ritmo circadiano: 
      Muitas funções orgânicas (como níveis de corticosteroide, consumo de oxigénio) são influênciadas ciclicamente pelas alterações da intensidade luminosa que ocorrem por rítmo circadiano (dia a dia). A via retinossupraquiasmática reage a alterações da intensidade luminosa. O próprio núcleo supraquiasmático funciona como um relógio independente, com o período de cerca de 25 horas por ciclo; as lesões nesse núcleo produzem a perda de todos os ciclos circadianos.
 
 
REGULAÇÃO HORMONAL 
      O nível das hormonas deve ser mantido dentro de valores estabelecidos e muito bem definidos. Um factor responsável pelo controlo dos níveis e o controlo do feedback. Este controlo realiza-se do seguinte modo: uma glândula A é estimulada a produzir uma determinada hormona X, por sua vez esta hormona estimula o órgão B a aumentar ou diminuir a substância Y. A alteração da substância Y inibe a produção da hormona X.
      O mecanismo de controlo atrás descrito ilustra a regulação com feedback negativo da, por exemplo, hormona paratiroideia, da hormona antidiurética e da insulina.
      Um outro mecanismo de feedback controla o nível de outras hormonas, sendo que este mecanismo é mais complicado do que o anteriormente descrito. Este mecanismo é o responsável pela interacção do hipotálamo e da pituitária anterior com a tiroideia, o córtex supra-renal e as gónadas.
      Neste mecanismo, quando o nível de hormona produzida pela tiroideia, córtex supra-renal ou pelas gónadas é suficiente, a libertação de hormonas tróficas pela pituitária e a de hormona libertadora pelo hipotálamo é inibida por feedback negativo. Os níveis destas hormonas podem exercer um feedback negativo no hipotálamo. Por sua vez o hipotálamo para controlar o nível dessas hormonas, sintetiza e liberta hormonas inibidoras.
      Embora o controlo do feedback negativo seja uma característica evidente do sistema endócrino, nem todas as hormonas são por ele controladas. Exemplos disso são: o estrogénio nos indivíduos do sexo masculino, a testosterona nos do sexo feminino, as hormonas placentárias e as hormonas produzidas por tumores etópicos não estão sob controlo do feedback.
      Um outro factor que regula os níveis hormonais é a ritmicidade intrínseca. Estes ritmos são muito variáveis e podem variar em minutos, dias ou até semanas. Os ritmos intrínsecos são controlados por diversos factores tais como: factores ambientais, a idade, o crescimento, o desenvolvimento, factores neurogénicos, a dor, traumatismos e stress. Estes factores podem exceder os mecanismos normais de feedback ou a ritmicidade intrínseca, e elevar a secreção acima de níveis considerados normais.
      A regulação hormonal é afectada pela eliminação ou inactivação metabólica, sendo o fígado e os rins os principais responsáveis por este facto.
      Assim, os níveis hormonais são controlados por mecanismos múltiplos. A compreensão destes mecanismos ajuda a clarificar o fundamento lógico dos vários tipos de provas do diagnóstico, usadas na apreciação das situações patológicas do sistema endócrino.
 
 
Regulação hormonal masculina
 
Existe uma relação entre o comportamento sexual, o hipotálamo e as hormonas sexuais, quer nos outros nos seres humanos, quer nos outros animais. A importância do hipotálamo no comportamento sexual tem sido largamente demonstrada. A estimulação de determinadas zonas do hipotálamo desperta, entre outras respostas, o impulso sexual. Existem ainda células que influenciam o comportamento sexual, tendo em conta o nível de hormonas sexuais nos sangue.
      A actividade sexual do homem é essencialmente regulada através da interacção de dois tipos de dois tipos de hormonas: as hormonas masculinas ou androgénios, produzidas pelos testículos, e as hormonas produzidas ao nível do complexo hipotálamo-hipofisário. Entre as hormonas masculinas, salienta-se a testosterona, segregada pelas células de Leydig ou células intersticiais. O hipotálamo produz neuro-hormonas, as GnRH (Gonadotropic-Realeasing Hormone), que estimulam a produção das hormonas hipofisárias: a FSH (Follicle Stimulation Hormone) e a LH (Luteinizing Hormone) também designada por ICSH (Intersticial Cell Stimulation Hormone).
      A hipófise é uma importante glândula endócrina, situada na base do encéfalo, que está ligada por um pedúnculo ao hipotálamo, zona do encéfalo que controla a sua actividade.
      Sabe-se actualmente que as células neuro-secretoras do hipotálamo libertam, na extremidade de alguns dos seus neurónios, neuro-hormonas, as GnRH que actuam sobre células da hipófise anterior, que, por sua vez, vão segregar as hormonas hipofisárias FSH e LH. Estas duas hormonas estimulam o funcionamento das glândulas sexuais ou gónadas, razão pela qual são designadas por gonadoestimulinas ou gonadotrofinas.
Enquanto a FSH tem como alvo as células de Sertoli dos tubos seminíferos, estimulando directamente a produção de espermatozoídes, a LH tem como alvo as células intersticiais do testículo ou células de Leydig, que respondem a este estímulo produzindo testosterona.
      A produção de testosterona é controlada por um mecanismo de feedback negativo sobre a hipófise. Deste modo, quando por estímulo da LH aumenta na corrente sanguíneo o teor de testosterona, verifica-se que, a partir de determinado valor, a hipófise responde diminuindo a sua produção de LH, o que implica uma descida na concentração de testosterona; quando esta atinge um valor mínimo novo feedback negativo vai obrigar a hipófise a produzir mais LH e consequentemente as células intersticiais a segregar mais testosterona.
      Como já foi dito, a FSH actua sobre as células de Sertoli, que se situam na parede dos tubos seminíferos, estimulando a produção de espermatozoídes. Por sua vez, as células de Sertoli produzem uma hormona, a inibina, capaz de inibir por um mecanismo de retroacção negativa idêntico ao anterior, a produção de FSH.
      Assim, o aumento da concentração de FSH estimula as células de Sertoli a aumentar a produção de inibina, obrigando este aumento da concentração de inibina à diminuição da produção de FSH.
      Segundo alguns cientistas, a testosterona actua sobre o hipotálamo, interferindo na produção de GnRH, hormona que, comandando a hipófise, irá interferir na produção de LH e FSH.
 
Regulação hormonal feminina
Estudos realizados em mamíferos, ou mesmo observações realizadas em mulheres, permitiram compreender que as interrelações ovário/útero ocorrem por via sanguínea, o que sugere uma intervenção hormonal.
      Outras investigações de natureza semelhante revelaram que existe igualmente uma interacção entre o ovário e o complexo hipotálamo-hipofisário, que se controlam reciprocamente através da produção de hormonas. Assim, o ciclo sexual feminino é controlado por duas hormonas hipofisárias (FSH e LH) e duas hormonas ováricas (o estrogénio e a progesterona). O ovário desempenha neste ciclo uma dupla função: produzir os gâmetas femininos e segregar as hormonas que, além de comandarem o ciclo uterino, fazem feedback entre o complexo hipotálamo-hipofisário regulando, assim, a produção de hormonas hipofisárias.
      Um ciclo ovárico inicia-se com a produção de GnRH pelo hipotálamo que, assim, estimula a produção de FSH e LH pela hipófise. Na fase folicular, há um claro predomínio de FSH, que, como o nome indica, vai estimular o crescimento e desenvolvimento dos folículos ováricos. Estes, à medida que se desenvolvem, vão produzir estrogénios.
      Um último feedback negativo, devido a níveis muito baixos de hormonas ováricas, vai de novo estimular a produção de FSH e LH, iniciando-se um novo ciclo.
 
 
LESÕES DO HIPOTÁLAMO
      Alem das funções vegetativas e endócrinas do Hipotálamo, a estimulação ou a lesão do Hipotálamo tem muitas vezes efeitos muito intensos sobre o comportamento emocional humano.
      A estimulação do núcleo ventromedial e das áreas circundantes provoca em grande parte efeitos opostos aos da estimulação da área hipotalámica lateral, isto é, sentimento de saciedade, com redução da ingestão de alimento e tranquilidade. Estimulação da zona delgada do núcleo periventricular, localizado imediatamente adjacente ao terceiro ventrículo, e também da substância cinzenta central do mesencéfalo, que é continua a essa parte do Hipotálamo, leva em geral ao medo e a reacções a punição.
      A função sexual pode ser provocada pela estimulação de diversas áreas do Hipotálamo, em especial das mais anteriores e posteriores. Lesões no Hipotálamo causam, em geral, efeitos opostos. Por exemplo, lesões bilaterais do Hipotálamo lateral diminuem, quase a zero, a ingestão de água e alimento, levando muitas vezes à desnutrição, que pode conduzir até à morte. Lesões bilaterais das áreas ventromediais do Hipotálamo produzem efeitos que, na sua maioria, são opostos aos decorrentes das lesões do Hipotálamo lateral. A lesão de outras áreas do sistema límbico, em especial a amígdala, área septal e áreas do mesencéfalo causam muitas vezes efeitos semelhantes aos acima mencionados para o Hipotálamo.
 
 
 
Bibliografia
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publicado por 100STRESS às 10:01


INTRODUÇÃO
 
         A complexidade do corpo humano e a particularização das células e dos tecidos requerem um sistema de comunicação interna que integra processos, de modo que várias partes do organismo possam funcionar como um todo, na satisfação das necessidades. Dois sistemas que funcionam em conjunto para coordenar os processos orgânicos, de maneira a poder dar resposta, adequada, a alterações ambientais: o Sistema Endócrino e o Sistema Nervoso.
        O Sistema Endócrino é formado pela pituitária anterior e posterior, tiróide, para-tiróide, córtex supra-renal, pâncreas, gónadas, glândula pineal e timo. Há ainda células especializadas, localizadas em várias partes do trato gastrointestinal. O Sistema Endócrino é ainda responsável pela síntese e libertação de hormonas, as quais são substâncias químicas segregadas pelos líquidos orgânicos, mas principalmente para o sangue que apesar de ser uma via mais lenta, o seu efeito é mais duradouro do que o estímulo nervoso. As hormonas apenas actuam em células ou tecidos que tenham receptores para essa hormona, designando-se, então, célula ou tecido alvo. A sua libertação será desencadeada por uma alteração na concentração de alguma substância nos líquidos corporais, tendo um efeito correctivo eliminando o estímulo e reduzindo a secreção, feedback negativo.
         As hormonas segregadas por estas glândulas endócrinas, são vitais para as mais importantes transações de vida do organismo, incluindo diferenciação, reprodução, crescimento e desenvolvimento, adaptação, envelhecimento e velhice.
         Embriológicamente o Sistema Nervoso divide-se inicialmente em protencéfalo, mesencéfalo e rombencéfalo. Posteriormente, o protencéfalo divide-se em telencéfalo e diencéfalo, o mesencéfalo não sofre divisões e o rombencéfalo divide-se em metencéfalo e mielencéfalo.
         Um dos mais importantes centros coordenadores das funções cerebrais chama-se diencéfalo. Este subdivide-se em tálamo, epitálamo, subtálamo e hipotálamo.
         Do tamanho de uma uva, cerca de 1% da massa cerebral, o hipotálamo coordena muitas actividades, regula funções vitais que variam com os estados emocionais, como por exemplo a temperatura, os batimentos cardíacos, a pressão sanguínea, a sensação da sede e de fome, etc. o hipotálamo controla também todo o sistema endócrino (ajustamentos endócrinos em situações de emergência) através de uma glândula controlada por ele – a hipófise.
         O hipotálamo é um dos grandes responsáveis pelo equilíbrio orgânico interno (a homeostasia).
 
 
LOCALIZAÇÃO DO HIPOTÁLAMO
         O hipotálamo, que é parte integrante do diencéfalo, é formado por inúmeros núcleos mal definidos.
         O hipotálamo constitui a parte inferior das paredes laterais e a base do terceiro ventrículo, é limitado anteriormente pelo quiasma óptico e dorsalmente pelo sulco hipotalâmico e pelo tálamo, constituindo, a cápsula interna, os núcleos subtalâmicos e o pedúnculo da base, os limites laterais. Na sua superfície inferior, o hipotálamo é contínuo com o infundíbulo (haste pituitária)
 
 
ESTRUTURA DO HIPOTÁLAMO 
Através de três planos frontais, o Hipotálamo è dividido em supra-óptico, tuberal e mamilar.
 
Hipotálamo Supra-óptico 
Constituído pelo quiasma óptico e por toda a área acima dele nas paredes do III ventrículo até ao sulco do hipotálamo.
 
Esta região contem os seguintes núcleos:
 
¤Núcleo paraventricular: encontra-se abaixo do epêndima do III ventrículo;
¤Núcleo supra-optico: cujas células cavalgam o tracto óptico;
¤Núcleo do hipotálamo anterior: substância cinzenta menos diferenciada;
¤Núcleo supraquiasmático: formado por um grupo de pequenas células redondas, imediatamente dorsais ao quiasma óptico e próximo à parte ventral do III ventrículo.
 
 
Hipotálamo Tuberal 
Constituído pelo túber cinéreo e por toda a área situada acima dele, nas paredes do III ventrículo até ao sulco do Hipotálamo.
Nesta região podemos encontrar os seguintes núcleos:
¤ Núcleo ventro-medial: rodeado por uma zona pobre em células;
¤ Núcleo dorso-medial: agregado de células menos distintas que limitam o III ventrículo;
¤ Núcleo do Hipotálamo posterior: situado na parte caudal da região tuberal;
¤ Núcleo arqueado ou infundibular.
 
Hipotálamo Mamilar 
Constituído pelos corpos mamilares, juntamente com os seus núcleos e pelas áreas da parede do III ventrículo que se encontram acima deste até ao sulco do Hipotálamo.
 
Esta região apresenta os seguintes núcleos:
¤Núcleo mamilar medial;
¤Núcleo mamilar intermédio;
¤Núcleo mamilar lateral: apresenta uma condensação de células a partir do núcleo do hipotálamo posterior;
¤Núcleo posterior.
 
Através de um plano que passa pela coluna anterior do fórnix, o Hipotálamo pode ser dividido em áreas do Hipotálamo medial e lateral.
 
Área do hipotálamo lateral 
Encontra-se limitada medialmente pelo trato mamilo talâmico e pela coluna anterior do fórnix; a borda medial da cápsula interna e a região subtalâmica formam o seu limite lateral.
 
Área do Hipotálamo medial 
Situa-se entre o fórnix e o III ventrículo, sendo rica em substância cinzenta e pobre em fibras. 
 
 
CONEXÕES HIPOTALÂMICAS 
O hipotálamo possui conexões muito amplas e complexas, que podem ser ou por meio de feixes difusos e de difícil identificação, ou através de fibras que se reúnem em feixes bem definidos.
 
 
Conexões Aferentes 
      Conforme a sua origem, podem ser divididos em límbicos, talâmicos, dos gânglios da base, corticais, da decussação supra-óptica.
As conexões aferentes chegam ao hipotálamo por duas vias principais: pelo pedúnculo mamilar e pelo componente ascendente do feixe dorsal longitudinal.
      As fibras que passam pelo pedúnculo mamilar têm origem em núcleos situados na região medial do mesencéfalo, conhecidos como núcleos de Gudden (núcleos tegmentares ventral e dorsal). Parte dessas fibras ascendem pelo feixe retroflexo (ou feixe de Meynert).
      As que passam pelo componente ascendente do feixe dorsal longitudinal, representam a continuação da substância cinzenta periaqueductal; tal como, lançou-se no tecido periventricular hipotalâmico medial: áreas hipotalâmicas anteriores e núcleos mamilares.
      As fibras que ascendem pelo pedúnculo mamilar projectam-se principalmente para os núcleos mamilares; um número determinado, passam para o feixe medial do prosencéfalo e podem atingir todas as regiões hipotalâmicas.
      As fibras aferentes de origem reticular têm origem no tegumento medial, passando pelo feixe habênulo – peduncular e estria medular, terminando na região pré – óptica; um outro pequeno grupo tem origem na região subtalâmica dirigindo-se para a área hipotalâmica lateral. Podemos ainda encontrar um grupo de fibras com origem na formação reticular mesencefálica, passando pelo núcleo dorso – medial e região talâmica paramediana, terminando difusamente no hipotálamo.
      Os aferentes límbicos representam os mais conspícuos aferentes hipotalâmicos. Chegam ao hipotálamo por três vias: fórnix, aferentes amigdalianas e feixe medial do prosencéfalo.
      O fórnix converge por dois feixes: fórnix pré - comissural e pós – comissural, para os núcleos da região septal. Ao chegarem ao corpo mamilar, cerca de 50% das fibras da coluna do fórnix passam para um núcleo anterior e núcleos intralaminares e da linha média do tálamo.
Da amígdala partem duas vias que atingem o hipotálamo. A primeira é representada pela estria terminal, fibras que terminam ao longo de todo o território nuclear da região hipotalâmica medial e da região pré – óptica, com origem na metade posterior da amígdala (núcleos córtico – mediais). A segunda é a via amígdalo – fuga ventral cujas fibras têm origem nos núcleos amigdalianos basais e laterais. Essas fibras atingem todo o hipotálamo por meio de colaterais que atravessam o hipotálamo lateral.
      O feixe medial do prosencéfalo é a principal via de conexões longitudinais do hipotálamo. È um sistema bidirecional, formado por fibras ascendentes, conectoras das estruturas inferiores (reticular mesencefálica) e fibras descendentes, conectoras das estruturas superiores (territórios médio-basais do telencéfalo) com o hipotálamo.
 As fibras descendentes têm origem no núcleo olfativo anterior, tubérculo olfativo, área septal, parte basal do núcleo caudado e do lobo periforme e, por meio da coluna de fórnix, de origem no córtex orbito – frontal. Todas as fibras descendentes do feixe medial do prosencéfalo terminam na área hipotalâmica lateral.
      Os aferentes talâmicos chegam ao hipotálamo por duas vias: pelo pedúnculo talâmico inferior e pelo sistema tálamo – hipotalâmico periventricular. O pedúnculo talâmico inferior é parte da ansa peduncular, sistema heterogéneo que se estende desde a região talâmica medial (núcleo talâmico medial e núcleos talâmico medial e núcleos intralaminares anteriores) até à região pré – óptica e hipotalâmica lateral.
O sistema tálamo – hipotalâmico periventricular constitui um grupo difuso de fibras, que passam de cima para baixo, do tálamo para o hipotálamo, misturando-se com o sistema periventricular hipotalâmico. A sua origem mais provável é no núcleo talâmico medial ou na linha média talâmica.
      As conexões aferentes dos gânglios de base são de dois tipos: fibras caudo-hipotalâmicas e feixe pálido – hipotalâmico. Os aferentes corticais têm origem no cortéx granular frontal, encaminhando-se para a região hipotalâmica lateral, área hipotalâmica medial e nucleohipotalâmico posterior.
      A decussação supra-óptica representa o sistema aferente. Terminam no hipotálamo e nas áreas pré-ópticas, sendo a sua origem ainda uma dúvida e objecto de muitas discussões.
  
 
Conexões eferentes 
      Podem ser divididos em dois grupos: aqueles com estruturas que originam aferentes para o hipotálamo – compreendendo as fibras que trafegam pelo feixe medial do mesencéfalo, feixe dorsal longitudinal, estria terminal e estria medular; e aqueles que se dirigem a estruturas de onde não se originam aferentes hipotalâmicos.
      O primeiro grupo é considerado como formador de “sistemas fechados” entre o hipotálamo e o mesencéfalo, o tálamo e as estruturas límbicas.
        Podemos considerar as seguintes conexões eferentes: eferentes de passagem pelo feixe dorsal longitudinal, eferentes do corpo mamilar, eferentes parotálamo e habênula e eferentes amigdalianos.
       Os eferentes de passagem pelo feixe medial do prosencéfalo podem-se dividir em dois tipos: ascendentes e descendentes. Os primeiros partem principalmente do hipotálamo lateral e, em menor proporção, do medial. Dirigindo-se para o núcleo septalmedial. Os descendentes dirigem-se para o tegmentar ventro – medial, núcleo tegmentar superior de Bachterew, substância cinzenta central anterior, enquanto que outro grupo para além de atingir a área tegmentar ventro-medial, vai também para o núcleo profundo do mesencéfalo de Gillian e substância cinzenta central caudal.
      Os eferentes passagem pelo feixe dorsal longitudinal de são formados por fibras que têm origem no hipotálamo medial e periventricular, praticamente todos os núcleos dessas regiões, encontrando-se o seu final no colículo superior e na substância cinzent5a central.  
      As conexões eferentes do corpo mamilar formam duas vias: o feixe mamilo-talâmico e feixe mamilo-tegmentar.
      O feixe mamilo-talâmico dirige-se para o núcleo talâmico anterior, de onde partem as proeminentes projecções talâmicas para o giro do cíngulo. O feixe mamilo-tegmentar dirige-se para os núcleos de Gudden (dorsal e ventral).
      Eferentes paratálamo habênula e são fibras de origem nas regiões pré-ópticas e hipotalâmicas laterais com término no núcleo médio dorsal do tálamo e na habênula. Estas fibras formam dois contingentes: superficial e profundo. O primeiro diz respeito à estria medular, com término na habênula; enquanto que o profundo, via pedúnculo talâmico inferior, atingindo o núcleo médio – dorsal.
      Eferentes amigdalianos são fibras de origem nas regiões hipotalámicas laterais e pré-ópticas anteriores, conduzindo-se pela estria terminal e via amigdalo-fuga ventral. A sua principal terminação parece ser nos núcleos central e basal do complexo amigdaliano.
 
CONEXÕES VASCULARES E NEURAIS ENTRE O HIPOTÁLAMO E A HIPÓFISE 
      O hipotálamo do encéfalo é ligado por uma haste à hipófise. Esta é uma massa de tecido com cerca de 1 cm de diâmetro, pesando aproximadamente 0,8 g no adulto.
      Consiste em duas divisões básicas: a adeno-hipófise e a neuro-hipófise. O hipotálamo sintetiza e secreta hormonas que são transportadas até à parte anterior da glândula pituitária. Estas hormonas activam a secreção de outras seis hormonas (tirotropina, adrenocorticotrópica, prolactina, somatrofina, hormona luteinizante, hormona estimuladora dos folículos) pela região anterior da glândula pituitária. A região posterior, constituída por um conjunto de terminações nervosas com início no hipotálamo, segrega mais três hormonas adicionais (melanotropina, hormona anti-diurética, acitocina). A secreção de muitas das hormonas é cíclica.
      Existem factores químicos do hipotálamo para a hipófise, por via circulatória. O hipotálamo sintetiza e secreta hormonas que controlam a secreção de hormonas da adeno-hipófise, são transportadas para esta por um sistema porta que forma uma ligação vascular directa entre o hipotálamo e a adeno-hipófise. As hormonas hipotalâmicas são sintetizadas nas células neurossecretoras do hipotálamo. As terminações nervosas dessas células terminam nos capilares na eminência mediana e, as hormonas libertadas nessas terminações são absorvidas por esses capilares e transportados para a glândula hipófise anterior, onde elas estimulam ou inibem a libertação das hormonas dessa glândula. Essas substâncias são chamadas de factores hipofisiotrópicos ou factores hipotalâmicos, visto serem secretadas pelos neurónios hipotalâmicos com acção directa sobre a hipófise. A maioria desses factores têm efeitos excitatórios (produzindo libertação de hormonas hipofisárias) e três de efeito inibitório (impedindo a libertação de hormonas hipofisárias) e, por isso, chamadas factores de libertação e factores de inibição, respectivamente.
 
 
FUNÇÕES DO HIPOTÁLAMO
      Clinicamente foi há muito reconhecido que as lesões no hipotálamo frequentemente levam a combinações difusas e bizarras de sintomas e sinais, que provêm de distúrbios endócrinos, metabólicos, viscerais e comportamentais. Entretanto, foi largamente afirmado que tais combinações resultam da interrupção das vias de controle para estas várias “funções” que, embora altamente independentes estão intimamente relacionadas topograficamente seja no hipotálamo, seja próximo dele.
 
Controle da fome 
      A estimulação das diferentes áreas do hipotálamo regula a ingestão de alimentos através de dois centros: centro da fome (parte mais associada à fome situada na área lateral do hipotálamo) e centro da saciedade (localizado no núcleo ventromedial). A estimulação do centro da fome induz à conduta de comer e sua destruição leva a uma perda do desejo de alimento, levando por vezes à anorexia, à desnutrição e consequentemente à morte. Por outro lado, a estimulação do centro da saciedade leva à conduta de cessar o acto de alimentação, isto é, opõe-se ao desejo de alimento. Quando é estimulado, o indivíduo que estiver a comer interrompe rapidamente a ingestão de alimento e torna-se indiferente a ele. Deste modo, se esta área for destruída, o centro do hipotálamo ligado à sensação de fome fica hiperactivo, de modo que o indivíduo passa a ter um apetite voraz, o que resulta num grau extremo de obesidade. Estes centros não trabalham alternadamente, na verdade, o centro da fome está sempre activado e pode ser inibido pelo centro da saciedade. O centro da saciedade é activado quando o nível de glicose nas suas células for elevado. Quando o nível de glicose for baixo, as células são inibidas e o centro da fome passa a exercer a sua função.
  
Controle da água corporal e da sede 
      O hipotálamo regula a água corporal por dois meios distintos: um por criar uma sensação de sede e outro, porque controla a perda de água através da urina. Quando os electrólitos no interior dos neurónios, tanto os do centro da sede como os das áreas associadas ao hipotálamo, ficam muito concentradas, surge um desejo intenso de beber água: este desejo fica saciado quando é ingerida a quantidade suficiente para fazer com que a concentração de electrólitos dos neurónios do centro da sede retorne ao seu valor normal.
      Lesões ou estimulações de certas áreas do hipotálamo levam à alteração da ingestão de líquidos sem que haja qualquer alteração na ingestão de alimentos sólidos. A região do controle da ingestão de líquidos localiza-se no hipotálamo lateral e as células são chamadas osmoreceptores pois reagem à pressão osmótica dos líquidos que a cercam. As células do centro da sede apresentam um abundante suprimento sanguíneo e a osmolaridade plasmática é o maior factor regulador da ingestão de água, embora a osmolaridade dos líquidos extra-celulares que circundam estas células também determinem resposta imediata para ingestão de água. O núcleo para – ventricular e principalmente o núcleo supra – óptico do hipotálamo sintetizam, transportam e liberam a vasopressiva (hormona anti-diurética, ADH). Nesta região do hipotálamo as células osmoreceptoras respondem rapidamente a situações de desidratação e hiper – hidratação, regulando a produção de ADH. Quando o ADH alcança o rim, aumenta a acção facilitadora sobre a reabsorção de água no tubulos contornados distais e colectores, o que reduz a perda de água pela urina. Na ausência de ADH, maior diurese aquosa ocorre, ou seja, uma quantidade excessiva de urina excretada (poliúria) ou, a falta desta hormona, pode ainda, levar a uma sensação de sede.
 
Controle da temperatura 
      A regulação da temperatura corporal é um mecanismo bastante complexo, mediado principalmente pelo hipotálamo através das áreas de produção, conservação e dissipação de calor. Os sistemas enzimáticos do corpo têm necessidades estritas de temperatura para optimização da sua função. O corpo humano, não apresenta variações de temperatura de acordo com o ambiente, mas sim de acordo com as suas situações específicas. Alguns factores ambientais e pessoais podem mudar a temperatura corporal (por exemplo: ingestão de alimentos quentes ou frios, épocas do ciclo menstrual, exercícios, temperatura ambiente, etc.), mas estas mudanças geralmente são pequenas e ocorre um rápido ajuste às variações fisiológicas pelo hipotálamo.
      A temperatura normal do corpo humano é, aproximadamente de 37ºC e mantém-se estável graças ao equilíbrio entre a produção e perda de calor pelo corpo. A produção de calor dá-se principalmente pela ingestão de alimentos e pela contracção dos músculos esqueléticos. A adrenalina produz um aumento fugaz da temperatura corporal e tiroxina produz um aumento mais duradouro. A perda de calor dá-se quando a temperatura ambiente está abaixo da temperatura corporal.
A pele determina, em grande parte, a quantidade de quantidade de calor ganha ou perdida. Dependendo do fluxo de sangue para a pele, mais ou menos calor é perdido das partes internas do corpo.
As respostas reflexas activadas pelo frio são regidas pelo hipotálamo posterior (por exemplo: tiritar de frio) e as respostas para o calor são determinadas pelo hipotálamo anterior (por exemplo: vasodilatação periférica e aumento da sudorese).
      A febre é uma reacção do organismo a substâncias piro – genicas, geralmente liberadas de células sanguíneas como resposta à infecção. Isto vai alterar o funcionamento do hipotálamo e provoca um aumento da temperatura do corpo. São, então, enviadas respostas a esta variação, até que o corpo volte a atingir a temperatura normal. Num indivíduo febril, os mecanismos termorreguladores reagem como se tivessem sido reajustados, e apenas a febre acima de 43 ºC pode ser considerada nociva para o organismo, podendo levar à morte por lesão cerebral.
      Na hipotermia os processos metabólicos e fisiológicos ficam retardados. Há diminuição da frequência cardíaca e respiratória, da pressão arterial e do nível de consciência. É o hipotálamo posterior que defende o organismo da hipotermia, sendo o hipotálamo anterior que defende da hipertermia.
 
Controle da contracção uterina e ejecção de leite pelas mamas 
      A estimulação dos núcleos paraventriculares faz com que as suas células neuronais segreguem a hormona oxitocina, que por sua vez provoca o aumento da contracção uterina e ao mesmo tempo contracção das células epiteliais, que revestem os alvéolos das glândulas mamárias, fazendo com que elas lancem o leite para o exterior pelos mamilos. Ao término da gravidez, são segregadas grandes quantidades de oxitocina, que participam na produção das contracções do parto que expulsam o feto. Quando o bebé extrai leite da mama materna, um sinal reflexo sai do mamilo e vai para o hipotálamo, libertando a oxitocina, que exerce a sua função essencial de ejecção do leite pelos mamilos, de modo a que o bebé obtenha a nutrição de que necessita.
 
Controlo neural da neuro-hipófise e da medula supra renal pelo hipotálamo 
      A neuro-hipófise não produz qualquer hormona mas funciona no armazenamento de duas hormonas produzidas no hipotálamo ao nível das células neurossecretoras dos núcleos supra-óptico e para-ventricular, são elas a hormona anti-diurética (ADM) e a ocitocina. Estas hormonas passam pelos axónios do tracto hipotálamo-hipofisário na haste pituitária para as terminações nervosas na neuro-hipófise, onde elas são armazenadas. Estas hormonas são libertadas na neuro-hipófise dentro da corrente sanguínea pela estimulação por impulsos originados dos núcleos hipotalâmicos.
 
Hormona antidiurética - a acção principal da ADH (também conhecida como vasopressina) é reduzir o volume e aumentar a concentração de urina, aumentando a permeabilidade dos túbulos do rim para a água, permitindo assim a reabsorção de maiores quantidades de água para a corrente sanguínea.
 
Ocitocina (OXT) - é produzida pelos núcleos supra-óptico e paraventricular do hipotálamo e tem como função estimular as contracções do miométrico (útero) e células mioepiteliais da mama (permitindo a saída de leite do peito aquando a amamentação). Esta hormona desencadeia em mulheres grávidas a contracção do miométrico para a expulsão do feto na altura do parto e, em mulheres não grávidas desencadeia contracções, nomeadamente, durante a menstruação e durante a relação sexual.
Através da medula supra-renal, o hipotálamo controla a secreção da adrenalina e da noradrenalina por via nervosa directa: fibras que atravessam a medula espinal fazem sinapse com os neurónios pré-ganglionares, cujo as fibras comandam a medula supra-renal.
 
Continua no post seguinte...
publicado por 100STRESS às 09:58


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